[Cenotáfio de Saladino] O Caminho do Aprimoramento e a Falta de Caminho

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Um pouco sobre a história do Monge e do Bárbaro

Encerrando a série de artigos falando da classes novas do Livro do Jogador 2, para Pathfinder RPG, desta vez vamos conversar um pouco sobre duas delas que podem parecer opostas, mas tem muito em comum.

O Bárbaro surgiu no RPG porque alguém queria jogar com o Conan, mas as classes que existiam não tinham as habilidades dele (bom, acho que ninguém nunca teve as habilidades do Conan, além do Conan).

Inicialmente, a primeira menção ao bárbaro no D&D foi um artigo de Gary Gygax na Dragon Magazine, onde ele apresentava os atributos de Conan para D&D, com uma mistura de habilidades de guerreiro e de ladino, evitendente muito roubados. Depois, Bárbaro foi apresentado em 1985 como uma subclasse de guerreiro no livro Unearthed Arcana.

Oficialmente, a classe também teve inspiração no personagem Kothar (criação de Gardner Fox, o criador do Flash) e um pouco de Fafhrd (criado por Fritz Lieber). É relativamente fácil encontrar obras com os dois personagens, e é uma leitura pra lá de recomendada.

Com o avanço das edições e acréscimos de outros RPGs, como Barbarians of Lemuria (onde basicamente todo mundo é bárbaro, de alguma forma), a classe foi ganhando seus contornos mais particulares e se tornando parte essencial dos RPGs de fantasia.

Por vezes mostrado como personagens rudes e não civilizados, por vezes como heróis vindos de culturas mais ligadas a natureza ou com menos características “civilizadas”, o foco era sempre o mesmo: um personagem absolutamente caótico, que usa de sua força e habilidade individual para conseguir o que deseja.

Ou seja, o melhor personagem pé-na-porta-soco-no-peito!

Por outro lado, temos outro herói que foi surgir um tempo depois, mais ou menos da mesma forma, foi o Monge.

Lá pelos meados de 1985, a classe surgiu (alternativamente chamada de “Místico”) mas era notadamente fraca e mal escrita, o que a fez desaparecer por um tempo, já que ninguém queria jogar com aquilo.

Voltou em 1990 como… uma subclasse de Clérigo! Não tinha nenhuma habilidade de lançar magia divina, mas usava os outros atributos e tinha a desculpa de aprimoramento físico e mental pra descer o braço em todo mundo.

Oficialmente inspirada nos trabalhos de Brian Blume e em particular sua série de livros “The Destroyer”, mas a classe claramente tinha elementos de filmes de ação asiáticos, especialmente seus golpes e habilidades.

O Monge é um personagem que busca o aprimoramento da mente e corpo, para atingir o nivel máximo do potencial do ser, o que acaba o tornando um fabuloso exemplar da sua ancestralidade. Um adepto da retidão e da ordem como caminho da iluminação e da evolução.

Impossível não pensar em filmes que podem muito bem ter servido de inspiração, em especial os dos Shaw Brothers, estúdio chinês responsável por clássicos como O Grande Mestre Beberrão (Da Zui Xia, 1966), Espadachim de Um Braço (Du Bei Dao, 1967), A 36a Câmara de Shaolin (Shao Lin San Shi Liu Fang, 1978) e Os Cinco Venenos de Shaolin (Wu Du, 1978).

Alguns desses filmes trazem uma excelente carga cultural e histórias e elementos que facilmente podem figurar em aventuras e campanhas, ou servir como histórico e motivação para heróis (e vilões)! Sério, procure esses filmes, você não vai se arrepender.

De certa forma, o Monge é o exato oposto do Bárbaro em conceito, já que se dedica a levar uma vida absolutamente centrada em ordem e regulamentações, em disciplina e no controle como forma de avanço, o que leva a um potencial imenso de boas histórias e aventuras dentro de qualquer campanha de fantasia.

E nem precisa ser em um cenário que se baseia em mitologia asiática, pois é bem instigante imaginar uma cultura monástica em ancestralidades diferentes e fantásticas. Hobgoblins monges me parecem totalmente possíveis, enquando seria interessante ver artes marciais desenvolvidas por centauros ou dragões!

Essas duas classes mostram como inspirações completamente diferentes de literatura (e filmes) podem contribuir para a riqueza do cenário e a diversidade de opções para os mestres e jogadores.

Dois elementos díspares, e que facilmente podem ser apontados como “não realistas” ou apelativos (o bárbaro foi considerado uma classe desequilibrada por anos, enquanto existem piadas internas de como, a partir de um certo nível, nada afeta um monge), mas que fazem parte básica do cenário, a ponto de ter sua ausência claramente notada quando acontece.

E como personagens com conceitos bem diferentes podem terminar se tornando excelentes máquinas de dar sopapo em tudo quanto é oponente, seja no machado ou na mão!

Rogerio Saladino,
humilde seguidor dos ensinamentos
do mestre monge anão Timetamon

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