A volta do sistema nacional multidimencional de RPG
Já ouviu essa história: um samurai, um bio-ciborgue de Alfa Centauri-3, um klaatch radinomante e uma tartaruga mecânica entram em um bar…?
Não? Nem eu.
Mas poderia acontecer em uma mesa RPG, não?
Jogo de Imaginação
Uma das características mais fascinantes e maravilhosas do RPG é a oportunidade que temos, como jogadores e mestres, de criar histórias fantásticas e incríveis e maravilhosas. Podemos participar de qualquer aventura que se possa imaginar… é a palavra-chave aqui é “imaginar”.

Muito mais que dados e fichas, a imaginação é nossa ferramenta primordial em nosso hobby. É com ela que nos colocamos nos papéis de personagens fantasiosos dos nossos livros e cenários favoritos. É com ela que fazemos mais histórias dentro de mundos e realidades criadas por autores que admiramos.
É com a imaginação que nos arriscamos a criar os nossos mundo fictícios e fabulosos.
Claro que é imensamente divertido ter uma campanha inteira de personagens durante a Segunda Era da Terra-Média, ou aventuras com personagens agindo a margem do opressor Império, antes de sua queda, em Star Wars.
Possibilidades Infinitas
Mas uma das outras grandes bases do RPG que o estabeleceu como um grande hobby é a possibilidade de criarmos os nossos personagens, nossos mundos, nossos cenários! Isso estabelece que não há limites, não há término ou final para o RPG. Podemos sempre renovar e criar mais e mais coisas novas inéditas.
Alguns dos RPGs mais conhecidos e famosos se dedicam a nos apresentar um mundo, um cenário e seus habitantes, seus problemas e oportunidades, seus acontecimentos e lugares a serem explorados.
Outros, talvez não tão famosos, nos apresentam possibilidades, focando mais nelas do que em um cenário estabelecido. Por muitas vezes chamados de jogos “genéricos”, um pouco graças a um dos mais conhecidos, o GURPS (Generic Universal Role Play System, ou Sistema de Interpretação Universal Genérico).
Curiosamente, chamar um sistema assim de genérico não é muito justo. No caso, estamos falando de um sistema que apresenta um núcleo de regras básicas que podem ser aplicadas a qualquer tipo de cenário ou estilo de jogo, com algumas regras que podem ser usadas ou ampliadas para cada necessidade.
Regras para tudo… e mais um pouco

Como uma sub-ramificação do RPG, sistemas desse tipo possuem uma proposta específica (ainda que ampla) e um baita problema, que é conseguir entregar regras equilibradas e que funcionem em qualquer cenário ou tipo de jogo.
Pode parecer fácil, mas não é. Regras para um RPG tem a tendência de funcionar melhor quando aplicadas a situações e elementos que já são sabidos e conhecidos quando são criadas. Por exemplo, criar regras levando em conta o uso da Força em Star War, ou mecânicas de regras sobre perda de Sanidade, em Chamado de Cthulhu.
Mas a coisa complica um pouco quando se tem que criar regras para… tudo, até mesmo o que não se pensou ou se imaginou que alguém ia colocar num RPG. Por exemplo, podemos fazer um RPG abrangente, com regras para armas, combate físico, combate mágico… mas e se alguém criar um cenário com base em reações químicas controladas pelos personagens?
E quanto mais amplo o sistema de RPG é, menos ele é específico, o que pode gerar alguns problemas nas mesas de jogo. Sempre vai faltar alguma coisa, alguma regra. A menos que o sistema tenha um livro básico de 1.475 páginas e 280 suplementos…
O equilíbrio do diverso e do específico
Tal equilíbrio de amplo e específico é algo bem complicado de se conseguir, e mesmo em sistemas conhecidos, ele é sempre revisado e aprimorado em novas edições.
E é aqui que entramos com OPERA, um sistema de RPG multidimencional.
Não estamos dizendo o livro básico tem muitas dimensões, mas que o sistema permite a criação delas.
OPERA é um sistema de RPG nacional de Léo Andrade e Roj Ventura, que foi desenvolvido lá por volta de 1994, e que teve sua primeira edição publicada em 2004. Agora OPERA está de volta com sua segunda edição em um livrão primoroso, com 290 páginas totalmente dedicadas a criação de personagens e mundos (e realidades, dimensões).

O sistema tem uma boa ênfase em criação de personagens, com uma variedade impressionante. Pode-se usar o mesmo sistema em diversos estilos de histórias e aventuras, e até mesmo misturar todos eles (tornando possível a cena do início deste artigo).
Ao mesmo tempo, OPERA também equilibra muito bem a quantidade de realismo que as regras proporcionam ao jogo e aos personagens, o que é indubitavelmente o maior diferencial do sistema.
Uma Opera com muitos participantes
OPERA também conta com um grande apoio dos autores ao seus jogadores, que disponibilizam muito material gratuito online, e também tem uma comunidade de fãs e jogadores de porte considerável (igualmente com o suporte dos autores).
Em tempos que vemos a volta de RPGs antigos na forma de novas edições e retroversões, é muito bom também podermos ter a volta de um ótimo RPG nacional com a proposta de criações diversas, amplas e não apenas multidimencionais, mas multicriativa.
Uma ótima oportunidade para se criar aquele personagem meio caranguejo, meio libélula, artista marcial, hacker de computador e viajante no tempo!
Rogerio Saladino,
que já jogou de klaatch radinomante.
Excelente peguei várias referências rsrsrs
Mal posso esperar pela volta desse monstro nacional!