Por Jorge Caffé
Dá um orgulho danado trabalhar com a New Order editora, ainda mais agora, que no nosso catálogo estão Dying Earth e Conan RPG.
Dying Earth, pra quem ainda não conhece, é uma das mais importantes referências que influenciou Gary Gigax. Mas já falamos disso aqui. Então, vou me ater a falar no motivo pelo qual esse livro é tão importante pra mim. E sim, esse será um relato em 1ª pessoa, sobre o motivo de achar tão importante essa obra, tanto no âmbito geral, quanto pra mim. Antes do RPG entrar na minha vida, eu já era um ávido leitor de fantasia e ficção cientifica. Na ficção cientifica eu tive uma baita fase graças aos livros da série alemã “Perry Rhodan” lançada no Brasil na primeira vez pela Ediouro, e agora pela SSPG.
Em uma das minhas aventuras garimpeiras no sebo da minha cidade, em busca de livros do Perry Rhodan em sequência, me deparei com um livrinho especial. Em sua capa, dois astronautas pareciam fazer o pouso à lua. Era “A Agonia da Terra” de Jack Vance. Paguei 2 reais no livro e o trouxe pra casa. A contra capa do livro não tinha muito sobre a história em si, e sim uma menção a todos os prêmios que o autor recebera. A leitura poderia ter me decepcionado, não por ser ruim (porque Vance está longe disso) mas porque não era ficção cientifica. A “sorte” é que eu já era leitor de fantasia, com gibis do Conan e livros de Rei Arthur. Mas aqueles contos me prenderam a atenção por muito tempo. Seus personagens, (principalmente o ciclo inicial, com Mazirian, Turjan e T’sais) me fascinaram com uma disputa que ia além de uma mera resolução violenta.
Eu já estava ambientado com fantasias em um tempo distante da nossa Terra, afinal, a Era Hiboriana é assim, e como disse, nessa época eu lia muito Conan, mas nunca havia pensado em uma fantasia no futuro da Terra. Esse foi outro traço que me encantou nessa “Terra agoniada”. Mais ainda quando os elementos se misturam em uma fantasia de espada e feitiçaria com artefatos que deixam duvida entre magia e tecnologia perdida. Mais tarde eu veria Marion Zimmer Bradley e Terry Brooks usarem essa ferramenta (em darkover e Shannara, respectivamente) mas não me parecia tão encantador quanto Vance. E as magias, com nomes que pareciam equações matemáticas? “–Não, senhor Parker, o senhor não foi um gênio por descobrir matemática por trás das magias do Doutor Estranho. Vance fez isso antes.”
Algum tempo depois, esse livro foi perdido. Praticamente impossível de achar por um longo período. Entrei no RPG, e sempre li sobre como Vance influenciara o RPG. Eu até via os magos como Gandalfs e Merlins, mas com aquela sombra de Mazirians e Turjans, principalmente quando os jogadores estavam mais preocupados em acumular poder do que fazer o bem. (vamos falar a verdade aqui, mestre… seus jogadores e jogadoras de magos estão mais preocupados em acumular poder do que salvar pessoas não é? Eis a surpresa: Gary sabia, e previu isso…) Décadas depois consegui outra cópia dessa edição, que guardo com o maior carinho em minha estante. Como um tomo de conhecimento antigo e valioso… E digo, foi uma honra inenarrável trabalhar nessa edição da New Order.
O cuidado que foi posto nessa edição, em todas as suas etapas, me trouxe uma satisfação imensa. A Tradução, à cargo de Gabriela Camargo, foi extremamente cuidadosa e criteriosa. Vance tinha um conhecimento ímpar sobre os mais diversos assuntos, e em Dying Earth ele mostra isso. Sua flora ficcional fantasiosa não era composta apenas por nomes esquisitos, meras junções de sílabas. Vance se ateve não apenas a nomes de plantas existentes, mas até mesmo ao motivo pelo qual tal planta tinha tal nome. E esse conhecimento baseou sua própria flora. Agora, imagine como deve ser difícil para um botânico entender sobre vegetação ficcional. Pense então na tradutora, que não é botânica? Mas ainda assim, Gabriela pesquisou, estudou, e usou termos mais do que adequados ao que buscava o autor.
A revisão foi e voltou diversas vezes, não porque havia muitos erros, mas justamente para nos assegurar que não haveria erros. Obviamente, esse é um mal que nem sempre estamos livres, mas ainda assim, buscamos um trabalho esmerado para o livro. Eu fiz um prefácio que a ética vai me impedir de falar sobre aqui, mas Rafael Beltrame escreveu um posfácio muito necessário sobre a visão particular de vance sobre sua obra, daqueles que, quando terminada a leitura, você gostaria de ter sido o autor do texto. Palmas pro Beltrame.
E a arte da capa? Bem, diz-se por ai: “Não se deve comprar um livro pela capa” pois é. Eu fiz isso, e contei lá no inicio desse post, e me ferrei dei bem. Bruno Prozaiko não vai deixar esse tipo de coisa acontecer novamente. Sua arte peculiar e estilosa representa bem toda a estética em voga na época em que Vance escreveu Dying Earth. Uma mistura de arte moderna e contemporânea, com reflexos da ficção gonzo, ilustrando Mazirian em toda a sua prepotência arcana. Eu particularmente queria essa arte como camisa, quadro, marcador de livros…
Contos de Dying Earth já está a venda em nosso site, e você pode conferir aqui.
Legal
Que bom que gostou do artigo!
Espero que seja um incentivo para a leitura do autor. Aliás, conta pra gente se já o conhecia antes…
não conhecia não
Oi, sabe se os livros seguintes foram publicados em português?
Esta em nossos planos trazer os demais livros da linha tambem em português!